" Se a sorte foi um dia alheia ao meu sustento, não houve harmonia entre ação e pensamento."

"Se a sorte foi um dia alheia ao meu sustento, não houve harmonia entre ação e pensamento." - Renato Russo

domingo, 27 de maio de 2012

segunda-feira, 26 de dezembro de 2011

Febril num dia frio.

A morte


Num sonho qualquer estava caminhando pela rua. Em busca de algo. Um emprego ou um sentido, algo pra dizer ou reclamar. No fundo quase não importa...
Não costumo lembrar dos meus sonhos. Certa vez li que isso acontece para nos mantermos ignorantes, não podemos se lembrar como voar em uma realidade como essa, Mas em um sonho, estamos em todos os lugares.

Neste sonho, que eu quase esqueci, levei dois tiros no peito. lembro da dor. Do impacto, do desespero.
Mas a aflição que não consegui esquecer foi a sensação de morte. Algo incomparável.
Em um segundo estava no chão, esperando. Tentando me acalmar.
Não sabemos nem entendemos o que temos como futuro. e como sentir falta disso ??
O que lembro nitidamente é a ilusão de controle se desfazendo. E agora?
E meu passado ?
é nisso que nos apegamos.
Pois na vida, continuamos, aprendemos e evoluímos. Não com a esperança no futuro, nem em busca dele. E sim em busca de lembranças...

Minhas roupas estão molhadas e não consigo respirar.
Como cheguei até aqui? Queria que isso fosse um sonho.
Com todos os ritmos, cores e tons misturados. todas imagens mescladas.
Apenas aquilo.
Me veio alguns nomes na boca, que não consegui dizer. senti coisas que não pude descrever. Estava morrendo.
E isso que busquei minha vida inteira, algo para me distrair, e de repente, e não tinha mais nada.
Fui vivo de verdade, amei, sofri, sorri e vivi todas as coisas. Vivi uma vida, nada mais, nada menos. Mais longa que algumas, mais curtas que outras.

Fui tão grande quanto deus e todos os anjos. Estive em todos os lugares.
E isto me dilacerou!
porque afinal quem vive como o sol, tem que conviver com o estado febril.
Acordei assustado, e depois voltei a dormir. Mais um dia.

Muitas pessoas tem a morte como um estado de libertação. Nos libertamos deste mundo, e das amarras do mesmo.
Tornamos uma outra coisa, que não uma humana. Talvez tenham a morte como uma dissecação da vida. Na qual apenas existimos na nossa forma mais simples. Nossa essência, a essência da alma e da vida.

Mas porque o medo da morte aparece assim, tão presente no momento zero ? Como os pés que se desprendem da ponte. O momento em que não se pode mais voltar atrás. O que o medo faz, quando se está num lugar onde não tem lugar para ele, a caminho da paz, descoberta e da liberdade ? Porque o medo cresce quando se está no ar ?
O medo é uma reação da consciência a uma situação de perigo, ou risco reconhecido. Já que o ser humano evoluiu sentindo medo, nada mais natural do que ser um sentimento básico. E necessário.
mas o medo da morte está lá, nos segundos finais...

Isso porque, eu achei e isso é um ponto de vista meu, que a morte não é uma forma de libertação. E sim de extinção da consciência. A morte não te liberta, ela te desprende da vida. E limita suas liberdades, restringe toda sua ideia de esperança e continuidade à suas lembranças. E elas se tornam sua vida.
Uma vida sem escolhas, pois já foram todas tomadas.
A morte não é uma dadiva, é apenas o fim.
E temer o fim é algo tão natural quanto permanecer febril sob o sol, até num dia frio.

quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

Livro: A Voz do Fogo

Tava muito tempo sem postar alguma construtiva nesse blog, então dessa vez trago um livro de ninguém mais ninguém menos que Alan Moore. Assim como Neil Gaiman, esse gênial roteirista também se aventurou pela literatura, saindo um pouco do universo dos quadrinhos, o qual lhe consagrou. Mas quem conhece o trabalho e o persona de Moore sabe que se trata de um sujeito singular, com impecável postura política e senso crítico, repleto de suas extravagancias com seu deus cobra maluco. Segue abaixo uma micro-matéria junto link para download.



Que Alan Moore é um gênio indiscutível dos Quadrinhos, todo o mundo já sabe. Mas uma dúvida (que está mais para curiosidade) pairava: como ele se sairia sem o auxílio dos desenhos de quadros?
A resposta está aí, e chama-se A Voz do Fogo.
O autor, logo de cara, mostra, a exemplo do compatriota Neil Gaiman, que é genial em qualquer uma das duas artes (Literatura e Quadrinhos). A sua narrativa detalhada, com adjetivos rebuscados e bem colocados, cai muito bem na literatura e não apenas como indicações para um desenhista. A cabeça do leitor faz muito bem o papel de dar vida ao universo criado (na verdade reproduzido) por Moore.
Toda a história gira em torno do processo de criação e desenvolvimento de Northampton, cidade natal de Moore. Mas isso não é feito de forma comum, e sim através de doze histórias (que
obviamente acontecem todas na cidade), que aos poucos vã ose interligando e mostrando diferentes facetas do lugar. Para se ter uma idéia a primeira (e uma das melhores) história do livro, O porco do bruxo, que se passa 4000 a.c., mostra inclusive uma língua inglesa em processo de formação, de uma forma bem primitiva.
Aos poucos as outras histórias vão se desenvolvendo e avançando no tempo, e o autor vai mostrando outros aspectos da sociedade. E o autor vai criando personagens cada vez mais carismáticos (mas os principais das duas primeiras histórias são os melhores). Mas se tem um personagem no livro (além é claro, da cidade de Northampton) é a magia. O segundo capítulo mostra isso de uma forma clara e bem feita.




Leia, releia e releia de novo. É Moore mostrando que é o um dos maiores narradores de sua geração e dá um sopro de originalidade na literatura.


Por FiliPêra (Via NSN)


 E você pode Baixar o arquivo .doc do livro AQUI (4shared)

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